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Tiago 5:15-16 e a Confissão de Pecados

O texto de Tiago 5:15-16 é utilizado para dizer que a confissão de pecados possui poder de perdoar nossos pecados. Vamos analisar o texto:
E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos. (Tiago 5:15-16)
Os seguintes pontos explicam esse texto:
- O verso 15 não diz que o pecado será perdoado se houver confissão. Na verdade, a confissão citada por Tiago no verso 16 não está ligada ao perdão do verso 15. A única condição para que o pecado seja perdoado, segundo Tiago, é que haja pecado. Por isso ele afirma, “se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados” (Tiago 5:15-16). Ou seja, você pecou? Receba o perdão.
Existe uma interconexão aqui entre a falta e a resolução. Tiago vem descrevendo isso desde os versos 13-14:
Está triste? Ore. Está feliz? Cante louvores. Está doente? Chame os presbíteros e receba a cura pela fé. Cometeu pecados? Receba o perdão.
Veja, não há um terceiro elemento incutido ou subliminar, mas apenas a demanda e a entrega, o problema e a solução: rápida e direta, pratica e organizada. Em outras palavras, não se liga a confissão ao perdão, mas ao pecado em si. Não diz, “cometeu pecados? Então os confesse e receba perdão”. Apenas, “cometeu pecados? Seja perdoado!”
O detalhe é em toda a sequência dos vv. 13-15, Tiago aponta praticas que devem ser feitas para que haja uma manifestação. A oração expulsa a tristeza; a felicidade é expressa pelo louvor; a enfermidade é curada pela oração de fé — representada aqui pela imposição de mãos e unção com óleo; até mesmo o verso 16 destaca a confissão uns aos outros para receber cura emocional em relação ao pecado. No entanto, a frase “se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados”, está avulsa nesse meio, pois não possui uma cláusula ativa, uma exigência para fazer algo a respeito (Veja Tiago 5:15-16 comparando com os versos 13-14).
No grego, a frase “κἂν ἁμαρτίας ᾖ πεποιηκώς, ἀφεθήσεται αὐτῷ” (“e se tiver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados”) é construída com uma condicional que não inclui uma ação exigida do pecador além do fato do pecado já existir.
Isso significa que, enquanto as outras situações têm um elemento ativo do crente (orar, louvar, chamar), aqui o perdão é uma dádiva declarada, não uma recompensa por um ato penitencial.
- O verso 16 começa com “portanto”, e prossegue, “confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados.” O, portanto, indica a conclusão da ideia anterior. Qual é a ideia nesse contexto? A de que o crente tem acesso ao perdão de Deus sem condições. Veja, podemos confessar nossos pecados uns aos outros porque temos perdão, não para termos perdão. O “portanto” aqui não está no verso 15, indicando que devemos confessar para receber perdão. Ele foi colocado após a declaração do perdão.
- Você pode me questionar: “mas se os nossos pecados futuros foram perdoados, por que Tiago diz que ele será perdoado?” É aqui que entramos na base do texto. Para aquele que pecou, que está consciente do pecado, precisa de perdão hoje e agora. A questão é: Deus já te perdoou em Cristo, mas você vai aceitar este perdão e se livrar da culpa e da condenação?
- Perceba que a pessoa que cometeu pecados está doente. O que Tiago diz, “se tiver cometido pecados”. Não que a doença seja um castigo de Deus, mas a culpa e a condenação pelo pecado tem poder para prejudicar o corpo. A condenação e a culpa podem afetar a saúde mental e física. Por isso, Tiago faz essa associação entre doença e perdão do pecado. Se a pessoa doente estivesse consciente da culpa, deveria “receber perdão” e ficar consciente da Justiça.
- O verso 16 diz “Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis”. A confissão neste caso, se refere a confessar, falar dos nossos erros, pecados e dificuldades com os nossos irmãos. Tiago está orientado para nos abrirmos com as pessoas que querem nos auxiliar. De certa forma, o próprio ato de falar com essas pessoas já serve de alívio e descanso. Assim que confessarmos, devemos ser aconselhados a olhar para a Obra de Cristo.
A confissão mútua descrita em Tiago 5:15-16 não é uma fórmula sacramental para obtenção de perdão, mas uma prática pastoral de restauração emocional, espiritual e até física. O Salmo 32 também demonstra isso:
“Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos… Confessei-te o meu pecado e tu perdoaste a iniquidade do meu coração.” (Salmos 32:3,5)
Que explicação maravilhosa e acolhedora.
Muito obrigado!
Fico feliz que tenha gostado!