Usos e costumes na igreja – 1 Pedro 3:3,4 e 1 Timóteo 2:9,10

As pessoas que mais sofrem em Igrejas que vigora o legalismo são as Mulheres. Elas são presas a uma escravidão e a um jugo extremamente pesado – Usos e costumes na igreja que se transformam em Lei. Muitas delas acreditam que esse jugo é bom, é a “cruz para carregar”. Carregam esse fardo acreditando em uma troca com Deus: deixando de fazer algumas coisas para herdar o Reino dos céus. Infelizmente, não sabem que essa salvação foi comprada com o sangue de Jesus e não com o sangue delas.

As obrigações para as mulheres são diversas: não podem usar calça, bermuda, fazer maquiagem, usar brincos, usar salto, certas roupas, etc. Algumas igrejas até impedem coisas mais básicas como a depilação.

Tudo isso, defende o legalismo, é “ser diferente do mundo.” Os pastores usam a passagem de Malaquias 3:18 como “prova”: “Então vocês verão novamente a diferença entre o justo e o ímpio, entre os que servem a Deus e os que não o servem.” Eles defendem que as irmãs estão se “diferenciando do mundo” – como se o cristão se diferenciasse do mundo por causa dos pelos do sovaco!

É uma diferença meramente externa, enraizadas em preceitos e regras humanas. Não era isso que Malaquias tinha mente, pois a verdadeira diferença entre o justo e o ímpio não são as suas próprias obras e ações, mas a sua fé ou a falta dela: “Porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé, como está escrito: ‘O justo viverá pela fé’.” (Romanos 1:17)

A marca do justo é sua fé no Evangelho, no amor de Deus, na obra redentora de Jesus.

Usos e costumes na igreja – Do mundo?

Todas essas regras do legalismo se baseiam na premissa de que todas essas coisas são abomináveis, são coisas do “mundo” – menos o celular, a TV, o rádio, o carro, etc. Aquilo que poderiam ser apenas usos e costumes na igreja, se tornam regras de freio moral contra a iniquidade mundana. Assim, precisamos nos “separar do mundo”. Porém, é interessante que para o apóstolo Paulo, essas regras e preceitos são mundanos! Veja o que ele diz:

Já que vocês morreram com Cristo para os princípios elementares deste mundo, por que é que vocês, então, como se ainda pertencessem a ele, se submetem a regras: “Não manuseie! ” “Não prove! ” “Não toque! “? Todas essas coisas estão destinadas a perecer pelo uso, pois se baseiam em mandamentos e ensinos humanos. Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne. (Colossenses 2:20-23)

Esse texto é um xeque-mate nas regras da religiosidade. Paulo diz que esses preceitos são “princípios elementares deste mundo”, pois são regras que tem aparência de sabedoria, contém uma falsa piedade e severidade com o corpo. Porém, no fim, são realmente inúteis para impedir o verdadeiro pecado, que advém da carne!

1 Pedro 3:3,4

Os pastores que defendem esses princípios se baseiam em alguns textos. Não consigo citar todos aqui, mas citarei alguns para esclarecer mais. Na questão da maquiagem, dos brincos, etc., esses irmãos citam a seguinte passagem:

A beleza de vocês não deve estar nos enfeites exteriores, como cabelos trançados e jóias de ouro ou roupas finas. Pelo contrário, esteja no ser interior, que não perece, beleza demonstrada num espírito dócil e tranqüilo, o que é de grande valor para Deus. (1 Pedro 3:3,4)

Se fizemos uma leitura calma, sem uma visão religiosa pré-concebida, deixando o texto dizer o que ele quer dizer, vamos compreender o que Pedro tem mente. Nem precisamos tratar de questões do grego ou do contexto.

Como o texto está claro, Pedro não está falando de PROIBIÇÃO. Ele não está proibindo o uso dessas coisas, mas tratando de um princípio mais profundo: a identidade da beleza cristã feminina. Pedro diz “A beleza de vocês não deve estar…”, ou seja, a verdadeira beleza não é os efeitos externos, a maquiagem, mas tudo aquilo que é interno, que corresponde ao caráter de Cristo em nós.

A questão do texto é: Você mulher cristã, pelo que você quer ser conhecida e vista? Você quer que as pessoas te vejam apenas como algo externo, superficial, ou você quer que elas te vejam como uma filha de Deus que manifesta o caráter de Cristo?

A beleza da mulher deve ser interna, mas isso não exclui o externo. Pedro está dizendo que o foco é o interno. Ele está falando abertamente com as mulheres que estão muito preocupados com o exterior, se sentido inadequadas, que se diminuem, e que tentam a todo custo alcançar um “padrão de beleza”. Pedro está dizendo: que Cristo através de você seja a sua beleza.

Porém, isso não elimina o uso das coisas que ele mencionou. Na verdade, quando lemos o texto, percebemos que Pedro tem em mente que essas irmãs usavam e faziam tudo isso.

1 Timóteo 2:9,10

Outro texto usado se encontra na carta de Paulo ao Timóteo:

Da mesma forma quero que as mulheres se vistam modestamente, com decência e discrição, não se adornando com tranças, nem ouro, nem pérolas, nem roupas caras, mas com boas obras, como convém a mulheres que professam adorar a Deus. (1 Timóteo 2:9,10)

Aqui, novamente, o foco não é a proibição. Porém, diferente de Pedro, Paulo não está falando sobre o centro da beleza na mulher, mas sobre a moderação. Ele fala sobre a mulher se vestir com “modéstia, decência e descrição”. Isso não nos ajuda completamente. Por quê? Porque os padrões de modéstia e moderação em relação às roupas e costumes varia de acordo com a cultura, a época e o lugar. Por isso, existe um elemento cultural especifico aqui.

Paulo estava escrevendo para o pastor Timóteo, que pastoreava a Igreja de Éfeso. Paulo já havia tratado sobre igualdade de gênero (homem e mulher), igualdade de trabalho (escravo e rico), igualdade étnica (gentio ou judeu), e agora estava tratando de igualdade econômica (mulheres ricas e mulheres pobres).

Na época de Paulo, apenas as mulheres mais ricas e que tinham escravos, conseguiam se adornar com “tranças, ouro, perolas, roupas caras”, etc. Nessa época, mais do que hoje, o que uma pessoa usava demonstrava o seu status socioeconômico. As mulheres mais pobres, porém, não tinham nada disso. Essas mulheres tinham que trabalhar arduamente para sustentar a si mesmas e suas famílias. Suas roupas e vestimentas eram simples.

Você consegue imaginar como seria difícil para uma mulher mais pobre viver em harmonia em uma congregação onde havia mulheres muito bem vestidas, que usavam joias caras e roupas extravagantes? As mulheres mais pobres se sentiam diminuídas e menosprezadas. Por isso, o apelo de Paulo em 1 Timóteo 2:9 diz respeito a modéstia, com humildade, para promover a igualdade e a comunhão na Igreja local. Não é a proibição que está em vista, mas a modéstia para gerar igualdade.

Assim, devemos ter o cuidado e como nos movemos desse texto para a nossa situação atual na igreja. O princípio do texto é: que haja igualdade, que haja amor, que haja modéstia.

Conclusão – Usos e costumes na igreja

Desta forma, colocar a identidade no exterior ou agir sem consideração e humildade para com outros não deve ser entendido como justificativa para eliminar a beleza exterior da mulher. A proibição não é o corretivo, mas a sabedoria, o amor fraternal, a Graça.

Assim, me dirijo as mulheres: não deixe que uma visão legalista de regras mortas te proíba de se vestir, de se “embelezar!” Deus não é um homem caprichoso e egoísta que dita quais roupas você deve usar e como deve se vestir. Ele te ama profundamente e quer se manifestar através de você, transbordando em Graça, amor e piedade.

Eliezer Oliveira
Eliezer Oliveira

Tenho 27 anos e sou diretor do Blog Vida Trocada, autor dos livros De Adão à Eternidade: a História da gloriosa salvação; Nada Além do Sangue; Hiper Graça: O Que Realmente Defendemos e Sente-se aos pés de Jesus. Também sou autor e coautor de vários livros digitais. Sou professor do curso Universidade da Graça, Vida na Graça e Teologia com Graça, e também atuo como Escritor Fantasma para alguns ministérios. Bacharel em Teologia (ESTÁCIO), casado com uma escritora maravilhosa, amante da leitura e de um bom café.

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